Que frase inspiradora!!

Publicado em: às maio 24, 2012 em 9:44 am  Deixe um comentário  
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Aprendizagem profunda

 ”A proposta do professor Fredric Litto, criador da Escola do Futuro da USP, era muito clara: “Como superar os desafios numa sociedade conectada?” Para aquecer a discussão, no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio, ele propôs que falássemos sobre a profissão de docente. Começou, ele mesmo, identificando os tipos de professores existentes no sistema brasileiro: “Tem os do ensino fundamental, que amam os seus alunos; há os do ensino médio, que amam os livros didáticos; e tem os do ensino superior, que amam a si próprios…” Com sua reconhecida ironia, quis mostrar aos 400 participantes do 9º FUP como é difícil introjetar mudanças, sobretudo na cabeça dos mestres que se ocupam do ensino de 3º grau, em nosso país.

Do debate, que foi muito proveitoso, participou também o professor Carlos Bielschovsky, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que acaba de deixar o MEC, em que dirigiu por quatro anos a Secretaria de Educação à Distância, com indiscutível sucesso. Hoje, o Brasil tem mais de 1 milhão de estudantes, nessa importante modalidade de ensino.

Abordei a questão do salário dos professores. Como incentivar a sua atividade com ganhos tão pobres? Depois, foi a vez da formação e do aperfeiçoamento dos mestres, em que a EAD pode ter um papel essencial. Quando presidi a Câmara de Ensino Superior do Conselho Federal de Educação, no período 89/92, em Brasília, recebi a recomendação do então presidente do órgão normativo do MEC, Fernando Gay da Fonseca, para que me dedicasse à revisão dos cursos de formação de professores, especialmente no nível superior. Apesar das reiteradas tentativas, foi impossível avançar na matéria, dadas as incríveis divergências entre os diretores das escolas envolvidas. Ninguém se entendia. Tudo ficou na mesma, depois de três anos de ingentes esforços, todos baldados.

Abordou-se também a questão da falta de maior reflexão por parte dos nossos alunos, muitos dos quais chegam ao quarto ano do ensino fundamental sem dominar nem mesmo a escrita, quanto mais o raciocínio. Nisso, a promoção automática provocou grande estrago (irreparável). É importante que as nossas escolas superiores, onde são formados os mestres do ensino médio, se abram para a importância de ensinar a pensar, como faz a Universidade de Estocolmo (Suécia), com absoluta prioridade. Aliás, o seu reitor nos disse que ela se dedica com primazia a três grandes vertentes: a formação de professores, cientistas e pensadores. E aqui? Encastelados, os professores não são cobrados quanto a essas responsabilidades. Não saímos da mesmice pedagógica perniciosa.

A Unesco defendeu a tese da “aprendizagem para toda a vida”. Não basta: é preciso verticalizar o conhecimento, ou seja, alcançar o ideal da “aprendizagem profunda”.”

ARNALDO NISKIER é membro da Academia Brasileira de Letras.

Fonte: O Globo on line

05 de Julho de 2011

Assim eu vejo a vida

A vida tem duas faces:

 Positiva e negativa

O passado foi duro mas deixou o seu legado

Saber viver é a grande sabedoria

 Que eu possa dignificar

Minha condição de mulher,

 Aceitar suas limitações

 E me fazer pedra de segurança dos valores que vão desmoronando.

 Nasci em tempos rudes

Aceitei contradições lutas e pedras como lições de vida e delas me sirvo

Aprendi a viver.

Cora Coralina

Publicado em: às março 9, 2012 em 8:30 pm  Deixe um comentário  
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A TRISTEZA PERMITIDA

Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz?

Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como? Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.

Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra. A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão.

Estar triste não é estar deprimido. Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.

“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down…” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato.

Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.

Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.

(Marta Medeiros)

 

Publicado em: às março 2, 2012 em 8:51 pm  Deixe um comentário  

Você é…

Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava, você é os nervos à flor da pele no vestibular, os segredos que guardou, você é sua praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai; você é o que você lembra.

Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, você é aquilo que foi retirado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas; você é o que você chora.

Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a  argalhada, o beijo; você é o que você desnuda.

Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá, você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta; você é o que você queima.

Você é aquilo que reivindica, o que consegue gerar por meio da sua verdade e da sua luta, você é os direitos que tem, os deveres a que se obriga, você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca; você é o que você pleiteia.

Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.

Martha Medeiros

Publicado em: às novembro 18, 2011 em 7:40 pm  Deixe um comentário  
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A receita do mestre

 

O governo vai lançar o primeiro concurso nacional para  avaliar e selecionar quem dá aulas. Só falta decidir o que faz um bom
professor.

Uma professora dá aula em uma escola de Cajuru, São Paulo, município que
ficou em primeiro lugar na avaliação nacional de 2010. O desafio do país é
contratar bons profissionais

Quais são as características de um bom professor? Não existe uma receita definitiva. Mas especialistas defendem a ideia de que é possível  identificar algumas habilidades básicas: dominar a disciplina que ensina, conhecer as etapas do desenvolvimento dos alunos e saber lidar com a turma. Porém, não é esse tipo de professor que encontramos na maioria das salas de aula brasileiras. Por isso, a baixa qualificação dos profissionais do ensino é apontada como um dos principais fatores para a má qualidade da educação do país.

Agora, o Brasil pode ter uma chance de mudar. O primeiro concurso nacional para selecionar professores deverá ser aplicado a partir de 2012. A prova, elaborada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao Ministério da Educação, avaliará os candidatos para a educação infantil e para o período de 1o a 5o ano do ensino fundamental. A ideia é que as redes municipais usem a prova voluntariamente.

A prova nacional é um avanço por dois motivos. Primeiro, deve melhorar os critérios de seleção. Hoje, a escolha é feita pelos municípios, os maiores contratantes de professores das séries iniciais. São mais de 5 mil redes municipais, cada uma com sua própria seleção.

Em geral, elas padecem de baixo investimento financeiro e falta de pessoal técnico para garantir a boa qualidade das provas. O segundo efeito benéfico da prova nacional é menos evidente e talvez mais importante. O exame vai forçar o país a definir o que esperar de um bom professor. É algo que nunca esteve no papel de nenhuma das diretrizes educacionais promulgadas pelo governo.

Em países com bons índices educacionais, como Chile, Canadá e Inglaterra, há parâmetros para a prática do ensino. Para chegar a uma lista de qualidades que todo professor deve ter, técnicos do Inep visitaram esses países e entrevistaram diretores de escolas brasileiras campeãs em aprendizado.

Também consultaram diversos especialistas em educação. E aí começaram os problemas. Os acadêmicos, ligados às faculdades de pedagogia não gostam da ideia de uma receita. “É difícil definir o que é um bom professor objetivamente, sem levar em consideração fatores externos, como as condições socioeconômicas dos alunos”, diz Dalila Andrade Oliveira, presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação.

Ela questiona a necessidade de o professor conhecer a própria matéria que ensina. “O professor pode não dominar o conteúdo, mas saber ouvir e ser sensível aos alunos.” As associações acadêmicas marcaram um seminário, no final de maio, para analisar a proposta do MEC e dar sugestões de como a prova nacional poderia ser formulada. Quem precisa de bons professores agora diz que não pode se dar ao luxo de longos debates. “Essa prova é uma necessidade imediata”, diz Cleuza Repulho, presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação. Ela defende a ideia de uma referência objetiva para qualidade dos professores. “Para quem não sabe cozinhar, seguir uma receita garante que o resultado não será desastroso.”

A prova de seleção, sozinha, não vai salvar as escolas brasileiras. A carreira docente precisa ser mais atraente para que os jovens talentosos queiram dar aulas. No Brasil, segundo o Inep, a maioria dos que optam pela carreira docente está entre os alunos com piores notas no ensino médio.

Esses jovens poderiam ser atraídos por melhores salários e por um sistema mais justo de remuneração, que afasta os ruins e premia os melhores profissionais. Mas agora, pelo menos, já vai dar para saber o que cobrar em sala de aula.

Camila Guimarães
Weber Sian
Fonte: Portal Revista Época 21/05/2011

Para pensar

Professores são obsoletos

A Westinghouse era um gigante nos anos 20. Numa fábrica com 12 mil funcionários, conduziram uma experiência seminal. Aumentaram a iluminação e a produtividade aumentou. Depois, voltaram ao que era. A produtividade aumentou mais! Esse experimento provou que a intervenção gera mudanças temporárias, e não difere dos empresários que intervêm em escolas.
No começo a diretora faz cursos de gestão, aparecem computadores e reciclagem para professores. Com o tempo, tudo volta ao que era. E os valores que são colocados nessas escolas “mexidas” tornariam o orçamento da rede publica inviável, portanto, são artificiais.
Duas boas entidades, Instituto Ayrton Senna e Todos Pela Educação colocaram pesquisadores para achar o denominador comum de centenas de estudos sobre melhorias na sala de aula -o resultado, logicamente, não passa de um conjunto de platitudes.
São quatro as conclusões: um, o professor tem que ser bom. Os 20% melhores ensinam mais do que os 20% piores. Ué…
Segundo, que turmas menores aprendem mais -ou seja, não é bom ter 48 alunos na classe. Certo.
Terceiro, que é melhor que a turma seja homogênea -se for para aprender mais matemática e português-, mas seria melhor que fosse heterogênea -se for para outras matérias. Ops…
Quarto, que alunos aprendem mais se houver mais aulas.
Hmmm… Sei que faço uma caricatura, mas não difere disso. A culpa não é dos empresários -têm boas intenções-, mas cabe lembrar que 92,3% das empresas quebram ou são vendidas a cada 20 anos, o que sugere que o empresário tem dificuldade de entender do seu próprio métier, quem dirá educação.
Que empresários escolheriam um professor de sociologia, depois um torneiro mecânico e por fim uma guerrilheira para comandar o país?
Teriam acertado na mosca, o país nunca andou tão para a frente.
Perguntei, numa palestra em Londres para 59 ministros de Educação: por que as férias são tão compridas no verão? Nem um deles sabia -é assim porque as escolas eram rurais, e os pais precisavam da criançada para ajudar na colheita, por dois meses. É assim até hoje.
Melhorias marginais na escola são como motor novo e pintura metálica num Fusca 77.
O papel do professor está obsoletado. Pede-se demais: que entenda de uma matéria, mas cruze com outras; que saiba manter 39 meninos quietos; que lide com as sacanagens da carreira, com diretoras ranzinzas e pais perdidos; e ainda aprendam tudo sobre bullying e “bullshit”.
Os investimentos e estudos deveriam ir para formatos novos, com professores virando os tutores esclarecidos da paideia grega e chamando à escola os milhões de recém-formados e aposentados que poderiam partilhar suas paixões.
Ficar tirando a média de um conceito medíocre é inócuo. Correr atrás de resultados melhores no Pisa parece avanço, mas não passa de uma polida no capô do Fusca.

RICARDO SEMLER, 51, é empresário. Foi scholar da Harvard Law School e professor de MBA no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Foi escolhido pelo Fórum Econômico de Davos como um dos Líderes Globais do Amanhã. Escreveu dois livros (“Virando a Própria Mesa” e “Você Está Louco”).

Por uma educação tupiniquim

O grande desafio nacional é descolonizar-se, encontrar a nossa identidade de pensamento e deixar de lado o sentimento generalizado de menos valia

Volta e meia somos comparados com países do exterior, no que diz respeito às questões educacionais. Os avaliadores, com todos os números disponíves, afirmam que na Finlândia sim, existe um excelente sistema de ensino. Que na Coreia do Sul sim, investiram nas salas de aula! Que na China sim, sabem o que é formação docente! Somos comparados com Canadá, Japão, Nova Zelândia, Austrália, exemplos distantes que deveríamos seguir de perto! Somos os perdedores internacionais. Os retardatários. E nos sentimos humilhados, enfim, quando nos dizem que no Uruguai e no Chile os alunos têm melhor desempenho na leitura e na matemática do que os nossos. Somos líderes na economia dentro da América Latina, mas deficitários no campo educacional.

Ainda carregamos a sensação dos colonizados. Trazemos na alma a marca dos que estão sempre em desenvolvimento, sempre na metade do caminho. Ainda ficamos fascinados com os parâmetros que vêm de fora. Com as pesquisas realizadas nos Estados Unidos e na Europa. Os critérios baseados em experiências e sucessos estrangeiros nos parecem decisivos e inquestionáveis.

Leitura colonizada
Para verificar se esse complexo de colonizados persiste entre nós, vejamos nas listas dos mais vendidos que livros (de ficção e não ficção) têm recebido destaque entre nós recentemente. Há um Querido John, e não um Querido João. Há mais de dois anos compramos A cabana, de William Young, e muitos ainda querem saber o que existe lá dentro. Parece que a leitura preferida da maioria daqueles que têm dinheiro e tempo para ler gira em torno de nomes como Nicholas Sparks, Elizabeth Gilbert, James Hunter, Sherry Argov…

Nem sempre é assim, obviamente. No momento em que escrevo, padre Marcelo Rossi é um campeão de vendas com seu novo livro, Ágape (prefácio de Gabriel Chalita), leitura de cabeceira na casa de muitas professoras brasileiras. Outro autor nacional em evidência é o educador Mario Sergio Cortella, cujos textos estão sendo lidos e recomendados (o que é salutar) no âmbito empresarial.

A leitura colonizada é reflexo de nosso hábito de valorizar o conhecimento sobre o não brasileiro. O prestígio que dá estudar outros idiomas suplanta o dever de termos maior intimidade com nosso próprio idioma. Há quem torça o nariz quando ouve a provocação de Nelson Rodrigues, dizendo-se linguisticamente monogâmico por só conhecer e praticar a língua portuguesa.

Leitura colonizada, visão de mundo colonizada, não é de surpreeender que nos sintamos diminuídos quando percebemos sobre nós os olhos dos avaliadores externos.

Complexados, estamos sempre correndo “atrás do prejuízo”, triste objetivo esse (o prejuízo) que nos restou perseguir, frase associada a outra, bem própria dos subalternos, “desculpe qualquer coisa!”, proferida antes que o açoite nos atinja.

Educar à brasileira
Recomendo leitura e estudo de um livro decisivo para a nossa autocompreensão: Crítica da razão tupiniquim, do catarinense Roberto Gomes, publicado em 1977. Não constou nem consta dos livros mais vendidos, mas certamente (já chegou à 12ª edição) terá mais vida do que vendas. E pode nos tirar as vendas dos olhos e a trava da língua.

O livro trabalha a questão de uma filosofia genuinamente brasileira. Como pensar de modo brasileiro? Suas considerações são inspiradoras. Como educar de modo brasileiro? Pensemos na piada brasileira. Não a piada alienante. Ou a piada agressiva e zombeteira. Pensemos na piada que faz “cócegas no raciocínio”, título de um livro de tiras e cartuns de um chargista adolescente, João Montanaro, que, embora muito jovem, já trabalha ombro a ombro com nomes importantes do humor jornalístico.

Aliás, só o fato de unir palavra tão séria, “razão”, a adjetivo com uso tão pejorativo entre nós, “tupiniquim” – essa união já pode soar como uma forma de fazer piada e desprezar toda a tradição ocidental do pensamento. E não é bem assim. Trata-se apenas de encontrar nossos próprios atalhos. Nosso próprio jeito de fazer, escrever, ensinar… e avaliar.

Uma educação tupiniquim será uma educação marginal. Estará atenta ao avesso das coisas. E saberá valorizar o que permite diálogo e encontro com a nossa própria realidade.

Sem tanta preocupação em “assimilar” o que vem de fora. O que vem de fora será tratado com respeito. Com hospitalidade. Mas por que não virar do avesso o velho provérbio e afirmar que quem faz milagre, e milagre dos bons, é o santo de casa?

Estas palavras de Roberto Gomes podem estimular uma reflexão mais nossa, mais tupiniquim:
[...] Do ponto de vista de um pensar brasileiro, Noel Rosa tem mais a nos ensinar do que o senhor Immanuel Kant, uma vez que a Filosofia, como o samba, não se aprende no colégio.

E o que poderia a escola brasileira ensinar? Qual a contribuição da faculdade brasileira?

Em primeiro lugar, aprender a ser brasileiros. Muitos brasileiros no passado desejaram ser não brasileiros. Ainda hoje, entre nós, e entre os intelectuais de modo mais notório, aprova-se quem se apega a teóricos de fora. Quem vai estudar no exterior sempre volta mais sábio do que os pobres tupiniquins.

A razão tupiniquim não é xenófoba. Aliás, gosta muito de alimentar-se antropofagicamente de novos colonizadores. Nosso modo de educar deverá largar a mão da Mãe-Europa e do Tio-EUA. Andar com as próprias pernas e pensar por conta própria (e como poderíamos pensar por “conta alheia”?).

Educar à brasileira será tão legítimo quanto educar ao estilo coreano ou canadense ou finlandês etc., contanto que cada estilo se realize dentro de suas circunstâncias concretas. A condição necessária para que haja bons resultados educacionais em qualquer país é que em cada país as pessoas se deem conta de suas peculiaridades.
Além de aprender a ser brasileiros, precisamos (outra inspiração do livro de Roberto Gomes) inventar uma pedagogia que converse com o não pedagógico, com as nossas referências, com as nossas imagens e saberes: a música, a culinária, o futebol, a dança, a nossa farmacopeia, a roupa, a arquitetura, a rede (a de deitar, mas também a nossa internet!), a nossa tecnologia, a nossa ciência, o jeitinho, as gírias, a literatura, a telenovela…

Se não aceitarmos o desafio da originalidade, da autovalorização sem ilusões, estaremos condenados ao que Roberto Gomes chama de “globocolonização”. Estaremos sempre na dependência da aprovação alheia. Na periferia envergonhada do mundo.

* Gabriel Perissé (www.perisse.com.br) é doutor em Filosofia da Educação (USP) e professor do Programa de Mestrado/Doutorado da Universidade Nove de Julho (SP)

Pesquisa sobre população com diploma universitário deixa o Brasil em último lugar entre os emergentes

Para concorrer em pé de igualdade com as potências mundiais, o Brasil terá que fazer um grande esforço para aumentar o percentual da população com formação acadêmica superior. Levantamento feito pelo especialista em análise de dados educacionais Ernesto Faria, a partir de relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), coloca o Brasil no último lugar em um grupo de 36 países ao avaliar o percentual de graduados na população de 25 a 64 anos.

Os números se referem a 2008 e indicam que apenas 11% dos brasileiros nessa faixa etária têm diploma universitário. Entre os países da OCDE, a média (28%) é mais do que o dobro da brasileira. O Chile, por exemplo, tem 24%, e a Rússia, 54%. O secretário de Ensino Superior do MEC (Ministério da Educação), Luiz Cláudio Costa, disse que já houve uma evolução dessa taxa desde 2008 e destacou que o número anual de formandos triplicou no país na ultima década.

“Como saímos de um patamar muito baixo, a nossa evolução, apesar de ser significativa, ainda está distante da meta que um país como o nosso precisa ter”, avalia. Para Costa, esse cenário é fruto de um gargalo que existe entre os ensinos médio e o superior. A inclusão dos jovens na escola cresceu, mas não foi acompanhada pelo aumento de vagas nas universidades, especialmente as públicas. “ Isso [acabar com o gargalo] se faz com ampliação de vagas e nós começamos a acabar com esse funil que existia”, afirmou ele.
 Costa lembra que o próximo PNE (Plano Nacional de Educação) estabelece como meta chegar a 33% da população de 18 a 24 anos matriculados no ensino superior até 2020. Segundo ele, esse patamar está, atualmente, próximo de 17%. Para isso será preciso ampliar os atuais programas de acesso ao ensino superior, como o Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), que aumentou o número de vagas nessas instituições, o Prouni (Programa Universidade para Todos), que oferece aos alunos de baixa renda bolsas de estudo em instituições de ensino privadas e o Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior), que permite aos estudantes financiar as mensalidades do curso e só começar a quitar a dívida depois da formatura.

“O importante é que o ensino superior, hoje, está na agenda do brasileiro, das famílias de todas as classes. Antes, isso se restringia a poucos. Observamos que as pessoas desejam e sabem que o ensino superior está ao seu alcance por diversos mecanismos”, disse o secretário.

Os números da OCDE mostram que, na maioria dos países, é entre os jovens de 25 a 34 anos que se verifica os maiores percentuais de pessoas com formação superior. Na Coreia do Sul, por exemplo, 58% da população nessa faixa etária concluiu pelo menos um curso universitário, enquanto entre os mais velhos, de 55 a 64 anos, esse patamar cai para 12%. No Brasil, quase não há variação entre as diferentes faixas etárias.

O diagnóstico da pesquisadora da USP (Universidade de São Paulo) e especialista no tema Elizabeth Balbachevsky é que essa situação é reflexo dos resultados ruins do ensino médio. Menos da metade dos jovens de 15 a 17 anos está cursando o ensino médio. A maioria ou ainda não saiu do ensino fundamental ou abandonou os estudos. “Ao contrário desses países emergentes, a população jovem que consegue terminar o ensino médio no Brasil [e que teria condições de avançar para o ensino superior] é muito pequena”.

Como 75% das vagas em cursos superiores estão nas instituições privadas, Elizabeth defende que a questão financeira ainda influencia o acesso. “Na China, as vagas do ensino superior são todas particulares. Na Rússia, uma parte importante das matrículas é paga, mas esses países desenvolveram um esquema sofisticado de financiamento e apoio ao estudante. O modelo de ensinos superior público e gratuito para todos, independentemente das condições da família, é um modelo que tem se mostrado inviável em muitos países”, comparou ela.

A defasagem em relação outros países é um indicador de que os programas de inclusão terão que ser ampliados. Segundo Costa, ainda há espaço – e demanda – para esse crescimento. Na última edição do ProUni, por exemplo, 1 milhão de candidatos se inscreveram para disputar as 123 mil bolsas ofertadas. Elizabeth sugere que os critérios de renda para participação no programa sejam menos limitadores, para incluir outros segmentos da sociedade.

“Os dados mostram que vamos ter que ser muito mais ágeis, como estamos sendo, fazer esse movimento com muita rapidez porque, infelizmente, nós perdemos quase um século de investimento em educação. A história nos mostra que a Europa e outras nações como os Estados Unidos e, mais recentemente, os países asiáticos avançaram porque apostaram decididamente na educação. O Brasil decidiu isso nos últimos anos e agora trabalha para saldar essa dívida”, disse a pesquisadora.

Amanda Cieglinski
Da Agência Brasil
(Brasília)

Atuação docente

1 – O papel do professor não deve ser o de ensinar, mas orientar as opções de “caminhos” que os alunos poderão trilhar;

2 – Coloque o aluno em situação de protagonista de sua aprendizagem, mantendo-o como sustentador de novos e contínuos desafios, principalmente se esse aluno estiver no ensino superior;

3 – Os educadores envolvidos devem contagiar seus pares, gestores, comunidades e realizar parcerias. Isso é fundamental para a visibilidade da faculdade/universidade na comunidade onde ela se insere;

4 – Mostre abertura para o trabalho colaborativo, convidando colegas de diferentes áreas e equipes diretivas para a participação;

 5 – Inserir-se em comunidades virtuais e buscar parcerias também com outras universidades ou cursos de graduação da sua instituição;

6 – Abra o planejamento para a comunidade, socializando o trabalho e solicitando a participação da mesma;

7 – Você só conseguirá contagiar seus pares, gestores, alunos e comunidade e realizar parcerias com diálogo e postura profissional;

8 – Mostre que o projeto é pertinente àquela comunidade, que possui propostas desafiadoras e que trará benefício a todos. O educador inovador tem que acreditar no poder transformador do projeto e lutar por ele;

9 – Para ter uma parceria de sucesso é necessária uma ação coordenada dos diferentes sujeitos e suas habilidades;

10 – Tenha uma postura de abertura para aproveitar os desdobramentos que surgem, dando novos direcionamentos;

11 – Avalie durante todo o processo para poder modificar o que for necessário;

12 – Incentive a criatividade, colaboração, aprendizagem contínua e desenvolvimento de competências;

13 – Incentive o uso das novas tecnologias, pois elas aproximam pessoas, agregam ideias, facilitam a colaboração, desenvolvem as competências exigidas dos nossos alunos e permitem que eles criem.

Fonte: Educadores Inovadores

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